Manifestantes do MST (Movimento Sem-Terra) bloquearam na madrugada desta sexta-feira (20/3), os dois sentidos da BR-163, em Campo Grande. Segundo a concessionária que administra a rodovia em Mato Grosso do Sul, o trecho afetado vai do quilômetro 466 ao quilômetro 463, sentido região de Dourados e Sul do estado.
Nas redes sociais, os membros do movimento confirmam a autoria do protesto e citam que a ação remete ao mês de março, marcado pela luta das mulheres.
“Reafirmando o protagonismo das trabalhadoras do campo na defesa da reforma agrária, da produção de alimentos e da justiça social. A mobilização denuncia a demora nas respostas para as famílias acampadas, a paralisação de processos e a falta de políticas públicas que garantam terra, moradia e condições dignas para a produção”, diz a postagem.
Enquanto a manifestação continua, a concessionária responsável pela rodovia coloca como rotas alternativas: no sentido norte o acesso fica no quilômetro 461, com saída para a MS-040 e no sentido sul o acesso é no quilômetro 466, saída para Sidrolândia.
De acordo com o portal Campo Grande News, o bloqueio começou por volta de 3h, quando pelo menos 200 manifestantes ocuparam a rodovia com galhos queimados. Segundo a Motiva, concessionária responsável pela rodovia, o congestionamento chega a 5 quilômetros no sentido norte e 2 quilômetros no sentido sul.
O movimento é liderado por mulheres, segundo Sandra Maria Costa Soares, presidente da Fafer (Federação dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais) e representante da Unitária Agrária de MS.
Sandra disse ao Campo Grande News que o protesto vai continuar até que conversem com o presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), César Fernando Schiavon Aldrighi, ou com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
“Não vamos abrir mão enquanto o presidente do Incra não descer para cá para negociar”, afirmou Sandra. Ela reclamou da morosidade do processo de reforma agrária no Estado, enquanto 19 mil famílias aguardam por um pedaço de terra. A manifestante alega que há quase 20 anos não há desapropriação no estado. Entretanto, em agosto de 2025, foi criado o assentamento União e Reconstrução, em Cassilândia, em área de 718,7 hectares. Antes disso, o último assentamento rural criado em Mato Grosso do Sul foi o Nazareth, em dezembro de 2013, em Sidrolândia.
Somente ambulâncias e outros veículos de saúde podem passar pelo bloqueio. O deputado federal Vander Loubet (PT) disse que já acertou a vinda do presidente do Incra, mas apenas neste sábado (21).