Mais do que uma festa popular, a Folia de Reis é um compromisso de vida desde 1904 para a família Benites, de Dourados. Uma promessa feita há mais de um século segue sendo cumprida com fé, música, oração, partilha e memória.
A tradição teve início com Benito Benites, bisavô da atual liderança, que fez uma promessa aos Santos Reis e manteve a Folia ativa durante toda a sua vida.
Antes de morrer, Benito passou à família a responsabilidade de cuidar da bandeira sagrada, símbolo máximo da Folia. Ao longo dos anos, a missão foi assumida por Eunice Benites Ortiz, que manteve viva a devoção com fé e dedicação. Hoje, quem conduz a Folia é sua filha, Lilian Beatriz Benitez Ortiz, responsável por dar continuidade a esse legado centenário.
Realizada há mais de 100 anos na comunidade douradense, a Folia de Reis nunca deixou de acontecer, mesmo diante das mudanças sociais, da correria do dia a dia e das dificuldades financeiras.
Religiosamente, a Folia celebra a visita dos Três Reis Magos ao Menino Jesus, simbolizando fé, obediência a Deus e gratidão. Culturalmente, representa uma das mais importantes manifestações populares herdadas da tradição portuguesa e ressignificadas no Brasil, reunindo música, dança, personagens simbólicos, oração e solidariedade.
Elementos essenciais como a bandeira sagrada, os cantos tradicionais, as rezas, os músicos e os palhaços continuam presentes. Mas, segundo os organizadores, o principal ingrediente da Folia permanece o mesmo: a fé. Sem ela, não há festa.
Do quintal à rua: a evolução da Folia
Com o passar dos anos, a Folia cresceu. O que antes acontecia de forma simples, em casas de família ou salões da igreja, hoje ocupa as ruas, reúne um público maior e conta com mais estrutura. A organização precisou se adaptar, mas sem perder o respeito à tradição.
A participação de jovens e crianças é fundamental para garantir o futuro da Folia. A transmissão do conhecimento acontece de forma natural, dentro da família e da comunidade. As crianças crescem acompanhando os ensaios, aprendendo os cantos, observando as rezas e entendendo, desde cedo, o respeito pela bandeira sagrada.
Solidariedade que alimenta corpo e alma
Além da celebração religiosa, a Folia de Reis também se tornou um importante ato de solidariedade. A entrega de marmitas à comunidade é um dos momentos mais aguardados da festa e envolve doações, trabalho voluntário e união entre os moradores.
“O alimento distribuído simboliza cuidado, partilha e amor ao próximo, reforçando que a Folia vai além do aspecto religioso e cultural: ela também cumpre um papel social. A preparação e a distribuição das refeições mobilizam a comunidade e fortalecem os laços entre vizinhos”, comenta a responsável por toda a organização, Lilian Beatriz Benitez Ortiz.
Uma mensagem que atravessa o tempo
A Folia de Reis deixa como legado valores que continuam atuais: fé, solidariedade, união e respeito. Mais do que lembrar o passado, a tradição mostra que é possível viver esses princípios no presente, fortalecendo a identidade cultural de Dourados e mantendo viva uma história que atravessa gerações.
Em cada canto, em cada reza e em cada gesto de partilha, a Folia reafirma que tradição é memória viva — e que enquanto houver fé, ela continuará caminhando pelas ruas, casas e corações da comunidade.
Serviço
Neste ano, a Festa de Folia de Reis acontecerá no próximo sábado (10/1), a partir das 18h, com a procissão, às 19h acontece a reza do Terço, às 19h30 haverá entrega de marmitas e às 20h, início do show-baile e queima de fogos. O endereço é Rua Paissandu, número 1.658, no Jardim Guanabara.