Referência no atendimento de urgência e emergência e de especialidades como ortopedia e cardiologia para uma população de 900 mil habitantes de 33 municípios, o Hospital da Vida, de Dourados, está superlotado. A situação é realidade há muito tempo devido à alta demanda, mas se agravou com a epidemia de chikungunya.
Até esta quarta-feira (15), havia 4.492 casos prováveis da doença, dos quais 1.710 foram confirmados. Sete pessoas morreram em decorrência de chikungunya e outras três mortes estão em investigação. São 46 pacientes com diagnóstico positivo ou com sintomas internados na cidade.
Nesta terça-feira (14), a Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados), que administra também a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), enviou ofício à Central de Regulação de Leitos, ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e ao Corpo de Bombeiros relatando a superlotação do Hospital da Vida.
No documento, encaminhado também para o serviço de atendimento de urgência da Motiva Pantanal (que explora a concessão da BR-163) e para o Ministério Público Estadual, a Funsaud relata que a área vermelha está acima da capacidade técnica e a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com ocupação máxima.
São 12 pacientes na área vermelha, 20 nos leitos de UTI, 17 na área verde e leitos de observação e enfermarias de clínica médica e cirúrgica lotadas. Até ontem existiam também 4 pacientes esperando internação na ortopedia e 4 na classificação de risco.
“Estamos realizando busca ativa de pacientes com possibilidade de serem transferidos para outros serviços, porque são de outras referências ou porque podem ser atendidos na cidade de origem ou em leitos de retaguarda”, afirma o documento, assinado pela médica reguladora Laís Dias Azevedo.
A prefeitura informou que a situação do Hospital da Vida ocorre há vários anos por causa do grande número de pacientes vindos dos 33 municípios da macrorregião de Dourados. É o único hospital público num raio de 300 km a oferecer atendimento de urgência e trauma. Apesar da superlotação, o município informou que nenhum paciente ficou sem atendimento.
Epidemia
Sobre a epidemia de chikungunya, a Vigilância Epidemiológica informou que a curva de positividade se mantém em níveis extremamente elevados (entre 68% e 79%), o que indica intensa circulação viral.
“Ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, sugerindo que a epidemia segue ativa. A taxa de positividade é um importante indicador da intensidade de transmissão, sendo que valores elevados refletem maior circulação do agente infeccioso”, afirma o órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
A média de atendimentos diários da UPA nos últimos 15 dias foi de 451 pacientes. A média anterior ao período da epidemia de era de 300 pacientes. “Esses dados podem indicar aumento da demanda em virtude inclusive da quantidade de casos agudos notificados nas duas últimas semanas em território urbano”, diz o boletim diário.