Planos são investigados na Operação Infiltrados, deflagrada na semana passada pelo Gaeco
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) identificou, durante a Operação Infiltrados, tratativas para o transporte de uma carga de até 150 quilos de cocaína com a possibilidade de utilização de um caminhão a serviço dos Correios. Segundo documentos da investigação, integrantes do grupo discutiram o veículo, a rota, o motorista e a divisão dos valores que seriam obtidos com a operação. O relatório, porém, não aponta que o transporte tenha sido efetivamente realizado e não lista funcionários dos Correios como suspeitos ou investigados.
Conforme o portal Campo Grande News, as conversas interceptadas envolvem Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado pelo Gaeco como um dos articuladores do esquema. Segundo os diálogos, a droga viria de Porto Murtinho, passaria pela saída de Sidrolândia e poderia render R$ 50 mil a cada participante. A utilização de um caminhão dos Correios seria uma estratégia para dar aparência regular ao transporte e reduzir suspeitas durante eventuais fiscalizações.
Em uma segunda negociação, em março de 2025, os investigados discutiram o transporte de uma carga ainda maior, estimada entre 450 e 930 quilos, utilizando uma carreta. LK teria buscado R$ 25 mil para custear a locação do veículo, valor que seria dividido com um homem conhecido como “Terror” e com o policial civil Neverson Vieira de Araújo, que, segundo o relatório, já foi lotado na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
De acordo com o Gaeco, a operação também previa a participação de agentes públicos. As conversas indicam que os investigados cogitavam utilizar um policial como batedor, valendo-se da condição funcional para diminuir o risco de abordagem. Também foi discutida a possibilidade de uma interceptação simulada, na qual o motorista receberia orientação para fugir enquanto a carga seria posteriormente recuperada pelo grupo.
As tratativas fazem parte da investigação da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco com 26 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
A operação apura suspeitas de participação de agentes públicos em um esquema de desvio de drogas apreendidas e favorecimento ao tráfico. Entre os alvos está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, apontado pelo Gaeco como integrante do núcleo de comando e responsável pela chamada “chancela institucional” do esquema, que, segundo a investigação, envolveria policiais civis, militares e policial penal.