A execução de um homem e duas mulheres e a tentativa de homicídio contra adolescente de 14 anos, na noite de sábado (19/9), no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina, foi ordenada pela facção CV (Comando Vermelho) durante chamada de vídeo com câmera desligada.
Conforme os depoimentos colhidos pela PC (Polícia Civil) até o momento, os envolvidos já tratavam do ataque desde a tarde daquele dia e tinham funções diferentes na ação.
Karina Aparecida Chuba, de 34 anos, contou em depoimento que o assassinato das vítimas foi ordenado e alinhado durante na tarde de sábado. Segundo ela, os integrantes da facção carioca cumpriam ordens sem conhecer a identidade dos superiores. “A gente não conhece ninguém pessoalmente. A tela sempre é fechada, a gente não vê o rosto de ninguém. É ligação ou chamada de vídeo, mas com o rosto fechado para nós”, declarou.
Ao delegado Filipe Davanso Mendonça, a mulher detalhou que sua função na organização era mapear as ruas, monitorar a movimentação policial e identificar “biqueiras” no distrito para viabilizar a entrega de cargas de drogas enviadas pelos “padrinhos” da facção.
Para este tipo de trabalho, conforme reportagem do Campo Grande News, Karina e apoio aos executores, Karina receberia entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.
A mulher detalhou também que um dos envolvidos no crime chegou a Nova Casa Verde de ônibus horas antes dos homicídios, utilizando a localização enviada pelo celular dela para encontrar o endereço.
Outro detido, Marcos Gabriel Antônio do Nascimento, confirmou que os suspeitos Bruno Gabriel Nunes Rocha, o “BG” e o foragido conhecido como “Pit Bull” estiveram em sua casa armados e exibindo fotografias das pessoas que seriam mortas.
Questionado sobre o motivo da polícia ter sido atraída ao endereço, Marcos relatou que homens armados chegaram ao local em uma motocicleta e exibiram fotografias, exigindo a identificação de um homem conhecido como “Antônio Diana” e tentaram forçá-lo a se aliar a uma organização criminosa.
“Eles meio que deram um enquadro na gente, queriam que a gente fechasse com eles. Eu falei: não vou fechar com nada, eu só trabalho para fazer minha renda”, declarou em depoimento.
O rapaz relatou ainda que os homens armados retornaram à região e comentaram sobre mortes no Bairro Batalhão Sul ou área próxima.
Ao final do interrogatório, Marcos solicitou que o delegado comunicasse a mãe sobre a prisão. A Polícia Civil investiga a relação dos fatos relatados com as mortes registradas na região. Em seu depoimento, Bruno Gabriel admitiu ter pilotado a motocicleta utilizada no deslocamento para levar o atirador e a arma de fogo até o local da chacina.
Ele também assumiu a posse do entorpecente e das munições apreendidos pela polícia na casa de Karina. Interrogado sobre a logística do crime, Bruno detalhou ter recebido uma ligação de criminosos que tentavam filiar seu irmão ao Comando Vermelho.
“Aí eu falei: ah, se ele pagar, eu consigo”, explicou. No endereço indicado, outro envolvido portava um revólver
Sobre os materiais apreendidos, Bruno alegou não saber a quantidade de munições e tentou se afastar da propriedade da arma e da droga. “Essa droga. Eu não estava vendendo para ninguém, estava deixando em casa. E as funções que tinham lá foi o menino que trouxe”, declarou. Ele negou integrar facções criminosas e afirmou que a abordagem policial foi tranquila.
Já Carlos Kaike Antônio dos Santos negou participação nos homicídios e declarou que Bruno e “Pit Bull” apenas passaram por sua residência com o veículo, mas alegou não ter prestado apoio à ação.
Fuga
Depois do crime, os dois suspeitos fugiram em uma motocicleta vermelha, no sentido área urbana de Nova Andradina. A Força Tática recebeu a informação sobre o veículo e localizou uma moto com características semelhantes no km 17 da MS-134.
Ao perceberem a aproximação dos policiais, os dois ocupantes abandonaram o veículo. Bruno Gabriel Nunes Rocha, de 19 anos, foi abordado e estava com um revólver Taurus calibre .38, municiado com quatro munições, duas delas já deflagradas. A motocicleta abandonada foi identificada como a mesma utilizada pelos executores. O segundo homem conseguiu fugir pela vegetação e não havia sido localizado até o encerramento das diligências descritas no documento.
Durante a abordagem, Bruno declarou aos policiais que integrava o Comando Vermelho e contou que o imóvel dos irmãos Carlos Kaike Antônio dos Santos e Marcos Gabriel Antônio do Nascimento, na Rua Maringá, era utilizado como apoio aos envolvidos.
Ainda conforme a versão apresentada por Bruno, o ataque teria sido motivado por vingança pela morte de um integrante do Comando Vermelho conhecido como “Filipinho”, que teria sido assassinado dias antes por integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Essa informação consta como relato do próprio suspeito e ainda é alvo de investigação.
Na casa onde Karina foi encontrada, a polícia apreendeu 15 gramas de cocaína e 11 munições calibre .38. A perícia preliminar confirmou resultado positivo para cocaína. Também foram recolhidos um celular e uma bolsa com documentos de terceiros.
A Polícia Civil indiciou os quatro presos por crimes relacionados ao triplo homicídio e à organização criminosa. Karina e Bruno também foram autuados por tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo, conforme o auto de prisão em flagrante.
O homem conhecido como “Pit Bull”, apontado nos depoimentos como participante da execução, fugiu após a abordagem na MS-134 e ainda não havia sido localizado.