Em depoimento à Polícia Civil, ex-prefeito disse que Mazzini havia invadido sua casa anteriormente e estava invadindo de novo
A morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, baleado duas vezes na varanda da casa que havia comprado na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, em Campo Grande, foi uma execução e não legítima defesa. Essa é a interpretação da família do servidor público de 61 anos, segundo o advogado Tiago Martinho, contratado para acompanhar o inquérito.
Em depoimento à Polícia Civil logo após o crime, Bernal disse que Mazzini havia invadido sua casa anteriormente e estava invadindo de novo. Também afirmou que o fiscal tributário teria partido para cima dele. Mesmo alegando legítima defesa, ele foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e continua preso.
“O senhor Roberto foi executado pelo acusado, de forma cruel. As imagens mostram que ele já entra na residência disparando”, afirmou o advogado da família.
Conforme o portal Campo Grande News, Martinho se refere às gravações das câmeras de segurança da própria residência onde aconteceu o crime. Os vídeos mostram que em cerca de 3 minutos, Bernal chegou à casa, disparou contra a vítima e fugiu.
Para o advogado da família de Mazzini, a dinâmica reforça a tese de execução. “O corpo da vítima tinha dois disparos. Esse segundo disparo foi muito provavelmente à queima-roupa, de fato executando a vítima”.
A família também contesta a versão de Bernal sobre a presença de Mazzini na casa. O advogado sustenta que o fiscal tributário era o legítimo proprietário e não um invasor, como alegado por Bernal. “De forma alguma ele foi invasor. Ele já tinha a escritura pública do imóvel. A Caixa já havia formalizado todo o procedimento de compra”, disse o advogado ao Campo Grande News.
Diferente do que foi informado anteriormente, a aquisição foi feita diretamente com a Caixa Econômica Federal, que tomou o imóvel do ex-prefeito por inadimplência, e não em leilão. Além disso, conforme Tiago Martinho, o imóvel estava desocupado. Ou seja, não era lar ou endereço profissional de Bernal, como também alega a defesa do ex-prefeito.
“Antes de fazer a aquisição, ele [Roberto Mazzini] esteve no imóvel com o corretor. O imóvel estava desocupado. Ele usou economias de uma vida inteira para efetuar a compra. Tinha três filhos, esposa e ainda traria a mãe para morar com ele”, afirma Tiago Martinho.
Ainda segundo o advogado, o fiscal tributário contratou chaveiro porque Bernal teria trocado as fechaduras da casa diversas vezes. “Ele estava apenas ingressando em um imóvel onde iria morar com a família. Não houve qualquer contato prévio com o acusado”, disse.
O representante da família diz que já solicitou acesso integral ao inquérito policial e acompanhará todas as etapas da investigação. “Nós confiamos no trabalho da polícia e acreditamos que ele será indiciado e responderá por homicídio doloso qualificado. O que aconteceu ali foi uma execução.”
Veja abaixo o vídeo de Alcides Bernal entrando com revólver na mão e depois fugindo: