A Justiça Estadual recebeu denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), tornando rés 20 pessoas acusadas de integrar organização criminosa armada voltada à exploração do jogo do bicho, alvo da quarta fase da Operação Successione.
Entre os réus estão o ex-deputado estadual Roberto Razuk e os filhos dele, Jorge Razuk Neto, Rafael Godoy Razuk e o deputado estadual Neno Razuk (PL), além de funcionários da família. Entre os réus estão ainda dois policiais militares da reserva.
A decisão judicial, proferida pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande no último dia de expediente antes do recesso do fim de ano, confirmou que a peça acusatória preenche os requisitos legais, expondo fatos criminosos que envolvem a disputa pelo monopólio da contravenção penal na capital e no interior do estado, sob chefia de um núcleo familiar sediado em Dourados.
Segundo as investigações do Gaeco, o grupo operava de forma estruturada, com clara divisão de tarefas e utilização de mecanismos de lavagem de dinheiro. Entre as práticas apontadas estão o uso de empresas de fachada para mascarar atividades ilícitas.
Os envolvidos respondem pelos crimes de integração em organização criminosa, exploração de jogo do bicho, lavagem de capitais e corrupção ativa.
A partir dos dados levantados, o Gaeco solicitou à Justiça o bloqueio de R$ 36 milhões, valor referente à estimativa de lavagem de capitais pela organização criminosa.
Grupo violento
A denúncia também destaca o emprego de violência e a corrupção de agentes públicos para assegurar a manutenção das atividades ilegais do grupo. São descritos três episódios de roubo majorado de operadores do grupo adversário na exploração do jogo ilegal, ocorridos em outubro de 2023, em Campo Grande.
O acervo probatório que fundamentou o recebimento da denúncia inclui dados obtidos por meio de interceptações telemáticas, que sugerem a hierarquia interna e o controle financeiro do negócio clandestino. Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de aposta, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie.
Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros como estratégia para ocultar a origem dos recursos.
Com a abertura da ação penal, os acusados serão citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.
O despacho da 4ª Vara Criminal determina ainda o apensamento de medidas cautelares de busca, apreensão e sigilo telemático aos autos principais para subsidiar a fase de instrução processual.