Clenio Alisson Medeiros Tavares, de 46 anos, e o filho dele, Brendon Alisson Medeiros Tavares, de 26 anos, proprietários de boxes no Camelódromo de Campo Grande, foram presos nesta quarta-feira (18) na Operação Iscariotes. As prisões ocorreram no residencial Alphaville 3, onde os dois moram. Durante as buscas, um celular foi jogado atrás de uma luminária, mas foi apreendido (veja o vídeo abaixo).
Além deles, apontados como chefes do esquema de contrabando, foram presos os policiais civis Célio Rodrigues Monteiro, lotado na Delegacia de Sidrolândia, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.
Deflagrada pela Delefaz/MS (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul), da Polícia Federal, com apoio da Receita Federal do Brasil, a operação mira organização criminosa investigada por contrabando, descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo, e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.
Além dos quatro mandados de prisão preventiva, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, um deles contra um bombeiro militar residente em Dourados. Um policial militar da Capital e três policiais rodoviários federais aposentados, também moradores em Campo Grande, também estão entre os alvos das buscas.
De acordo com a Polícia Federal, a operação decorre de investigação de longo curso, que revelou a atuação estruturada do grupo especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado, desacompanhados de documentação fiscal e sem a devida regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.
Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outras unidades da Federação, especialmente Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.
O grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para viabilizar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas. Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores auferidos com a atividade ilegal.
Segundo as investigações, os agentes de segurança pública (aposentados e da ativa) atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.
A Justiça decretou indisponibilidade de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, somando R$ 40 milhões – incluindo sequestro de pelo menos 10 imóveis e 12 veículos e suspensão das atividades de 6 pessoas jurídicas. Ao todo, foram cumpridas 90 ordens judiciais em Campo Grande, Dourados, Sidrolândia, Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG).