Atentado teria sido motivado por uma antiga rixa entre famílias
Uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo terminou com a prisão de dois homens e a apreensão de uma pistola calibre 9 mm pela equipe da Força Tática, na noite desta sexta-feira (25), no Parque das Nações II, em Dourados.
De acordo com o relato policial, a equipe foi chamada para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo contra uma residência. No local, a moradora relatou aos policiais que um Gol cinza, ocupado por vários indivíduos, teria passado em frente à residência e efetuado diversos disparos na direção das pessoas que estavam no local.
Durante o atendimento, a vítima entregou à equipe seis cápsulas de pistola calibre 9 mm que teriam sido recolhidas após os disparos. Ela também forneceu aos policiais imagens de câmeras de segurança, além de indicar o horário em que o episódio ocorreu.
Ainda segundo o relato registrado pela equipe, a moradora afirmou ter reconhecido dois dos envolvidos. Conforme a versão apresentada à polícia, Michael Nunes Antunes seria o homem que efetuava os disparos, enquanto Leonis Cáceres Quintana estaria conduzindo o veículo.
Rixa entre famílias
A vítima também relatou aos policiais que existiria uma antiga rixa entre as famílias envolvidas. Segundo o depoimento registrado na ocorrência, Matheus de Souza Gauna teria matado Leandro Cáceres Quintana, irmão de Leonis.
Ainda conforme o relato, após a morte do irmão, um dos envolvidos teria afirmado que não iria interromper as ações até vingar a morte de Leandro.
Com as informações obtidas no local, a equipe da Força Tática iniciou patrulhamento pelas regiões indicadas pelas vítimas, onde os suspeitos poderiam estar.
Durante o patrulhamento pela Rua Arthur Ferreira Pinto, local onde, segundo os policiais, residiria um dos suspeitos, Michael, a equipe visualizou dois homens no quintal de uma residência, através das grades do portão, que estava parcialmente aberto.
Os policiais realizaram a abordagem e determinaram que os dois homens se dirigissem até a calçada com as mãos sobre a cabeça. Conforme o registro policial, inicialmente houve resistência ao cumprimento das ordens, sendo necessária a utilização de comandos verbais mais firmes para que os abordados obedecessem.
Durante a revista pessoal, os policiais encontraram no bolso direito de Leonis 5 munições intactas de calibre 9 mm, acondicionadas dentro de um saco plástico. Segundo a equipe, o calibre das munições encontradas correspondia ao calibre dos estojos recolhidos no local onde haviam ocorrido os disparos.
Tentou escapar
Questionado sobre onde estaria a arma utilizada na ocorrência, Leonis, segundo o relato policial, afirmou que colaboraria e indicaria o local onde o armamento estava escondido.
Ainda de acordo com os policiais, durante o deslocamento para dentro do imóvel, o homem teria proposto que entregaria a arma em troca de sua liberação. A proposta, conforme consta no registro, foi recusada pela equipe.
Na sequência, Leonis teria reclamado que a algema estaria apertada e solicitado que fosse afrouxada. Durante o procedimento para reposicionar a algema, o homem teria resistido à nova imobilização, passando a se contrair e a desferir chutes e socos contra os policiais.
A equipe informou ter utilizado técnicas de contato e imobilização para conter o homem e algemá-lo novamente. Durante a permanência dos policiais no imóvel, a equipe percebeu que os dois suspeitos direcionavam repetidamente os olhares para uma determinada área da residência, onde havia uma prateleira e um cesto de roupas.
Segundo o registro, os dois demonstravam nervosismo e desconforto quando os policiais se aproximavam daquele ponto. Uma busca minuciosa foi feita no local e, dentro do cesto de roupas sujas, os policiais encontraram uma pistola calibre 9 mm, marca IMI Jericho 941F, de origem israelense. A arma estava com uma munição na câmara e outras 16 munições no carregador.
Após a localização da pistola, os policiais questionaram os dois homens sobre a propriedade e a documentação do armamento. Conforme o relato da ocorrência, Michael se apresentou como proprietário da arma e afirmou que o armamento não tinha procedência.
Questionado sobre o motivo de portar uma arma de fogo, ainda segundo o registro policial, Michael declarou que utilizava a pistola para se defender de integrantes do PCC, afirmando ser contrário ao grupo. Diante da situação, os dois homens receberam voz de prisão e foram levados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) e autuados em flagrante por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma.