A servidora pública Simone Aparecida de Moraes Pereira foi presa na manhã desta quarta-feira (11) durante a Operação “Pombo Sem Asas”, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) para combater o envio de drogas e celulares para o Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. Os produtos ilícitos são arremessados sobre a muralha.
Alvo de mandado de prisão preventiva, Simone também foi autuada em flagrante após a polícia encontrar drogas na casa dela, na Capital. Lotada na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Simone trabalha como copeira e tem salário de R$ 2.790. Ela é casada com um integrante de facção que está recolhido na Máxima.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a operação de hoje tem como objetivo desmantelar o núcleo de facção criminosa de âmbito nacional que atua no tráfico de drogas em unidades prisionais da Capital com apoio de servidores públicos.
A investigação, iniciada a partir do compartilhamento de provas obtidas em apuração anterior que levou à exclusão de um policial militar por corrupção, revelou esquema estruturado para garantir a entrada de entorpecentes e celulares no complexo penitenciário de Campo Grande mediante o pagamento de propina.
O servidor do sistema penitenciário, até então responsável pela vigilância externa através das torres do presídio da Capital, recebia vantagens financeiras indevidas de internos e familiares (integrantes de facção criminosa), para permitir o arremesso de pacotes contendo drogas e celulares por cima dos muros da unidade.
O trabalho investigativo demonstrou que detentos coordenavam a logística externa dos arremessos de objetos ilícitos, executados por membros da organização criminosa que estavam em liberdade.
O grupo também utilizava contas bancárias próprias e de terceiros para movimentar valores do tráfico e fazer o pagamento de subornos, visando à manutenção das comunicações com o meio externo e ao fortalecimento da facção no Estado. Além dessa atuação, a rede criminosa articulava, ainda, o envio de entorpecentes para outras unidades da federação.
A operação cumpriu 35 mandados judiciais de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Campo Grande e nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
O nome da operação faz alusão ao termo utilizado pelos próprios criminosos para nominar os pacotes contendo drogas e celulares lançados para o interior do presídio (“pombos”), seja por simples arremessos manuais, seja com a utilização de drones.