Filho de Roberto Razuk e de Delia Razuk teve a prisão preventiva decretada por organização criminosa e jogo do bicho
A prisão de Roberto Razuk Filho, o Neno, alvo da Operação Successione, foi decretada em caráter preventivo pelo juiz José Henrique Káster Franco, titular da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, e está diretamente relacionada à perda do mandato parlamentar, ocorrida em maio deste ano. Ou seja, não tem relação com outro processo da primeira fase da operação, em que o douradense foi condenado a em 1ª instância a mais de 16 anos de reclusão por organização criminosa armada e exploração do jogo do bicho.
Conforme o portal Campo Grande News, a ordem foi expedida em outra ação penal decorrente da Successione. Até agora, o mandado não foi cumprido.
Filho do ex-deputado estadual Roberto Razuk e da ex-prefeita Delia Godoy Razuk, Neno tinha prerrogativa do foro privilegiado, mas, em maio deste ano, o mandato dele na Assembleia Legislativa foi anulado após a Justiça Eleitoral cancelar os votos recebidos pela suplente de deputada Raquelle Lisboa Alves Souza, a “Raquelle Trustis”, do PL (Partido Liberal). A decisão mexeu com o coeficiente eleitoral e, com isso, Neno perdeu a vaga para João Cesar Mattogrosso (PSDB).
Com o rearranjo eleitoral, o obstáculo para a prisão de Neno Razuk por causa do foro privilegiado deixou de existir.
Conforme o Campo Grande News, ao decretar a prisão, o juiz entendeu que existem requisitos para a segregação cautelar, como o risco à ordem pública, uma vez que o ex-parlamentar é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) como liderança na organização. A investigação demonstrou ainda que o grupo criminoso continuaria em atividade, o que, segundo o entendimento judicial, justificaria a medida para interromper a suposta continuidade das práticas criminosas e resguardar a instrução do processo, garantindo que seja feita justiça.
O magistrado assinou a ordem de prisão e saiu de férias, também conforme apuração do Campo Grande News. De acordo com a escala publicada no site do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) ele saiu de folga no dia 6 e ficará fora do trabalho até o dia 20 deste mês.
O portal questionou o Gaeco, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) e a Polícia Civil sobre o cumprimento do mandado e sobre quando o ex-deputado será considerado foragido da Justiça, caso não se apresente, mas, até o fechamento deste texto, não havia recebido os retornos. O Gaeco informou apenas que "em razão do sigilo processual, não é possível divulgar informações adicionais neste momento".
Formalmente, o cumprimento de ordens de prisão é atribuição da Polícia Civil. Por isso, a PM não fará buscas por Roberto Razuk Filho, mas policiais militares têm obrigação de prender o ex-deputado caso o encontrem em alguma abordagem.
Acusações
O ex-deputado estadual que representava Dourados na Assembleia Legislativa é réu na quarta fase da Successione, ocorrida em 25 de novembro de 2025. A ação prendeu Roberto Razuk e os dois irmãos de Neno – Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o trio forma o “núcleo duro” da organização. A Successione investiga organização criminosa, roubo, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal de estabelecimento e exploração de jogos de azar.
Durante as diligências, foram apreendidas mais de 700 máquinas de apostas, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em dinheiro. Documentos financeiros também indicam a aquisição de bens móveis e imóveis em nome de terceiros como estratégia para ocultar a origem dos recursos.
A primeira fase da operação foi deflagrada pelo Gaeco em 5 de dezembro de 2023, após disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande.
Nega tudo
Neno Razuk sempre negou envolvimento com o crime. Ontem de manhã, a defesa dele informou que não teve acesso à decisão e também não disse onde o ex-deputado está. “A defesa ainda não teve acesso a esse mandado de prisão, portanto precisamos aguardar antes de realizar qualquer manifestação acerca do tema”, afirmou o advogado Roberto Razuk Neto, filho de Neno Razuk.