Dourados enfrenta um cenário de emergência em saúde pública diante do avanço da Chikungunya no município. Dados atualizados nesta quinta-feira (26/3), pela prefeitura, apontam crescimento expressivo de casos, aumento de internações e pressão sobre a rede de atendimento.
De acordo com o informe epidemiológico, já são 1.455 casos prováveis da doença, sendo 785 confirmados. Outros 900 seguem em investigação, enquanto 230 foram descartados. Ao todo, a maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul contabiliza 1.915 notificações. A taxa de positividade chama atenção: 77,33% das pessoas testadas tiveram resultado positivo.
A evolução dos casos indica avanço consistente da doença nas últimas semanas. A partir da semana epidemiológica sete, foi observado crescimento progressivo da transmissão, com pico recente. Apesar de uma aparente queda na semana 12, o dado ainda pode refletir atraso na atualização das notificações, comum em cenários de epidemia.
O impacto já é sentido diretamente nos serviços de saúde. O número de atendimentos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) aumentou nos últimos dias, especialmente a partir de 23 de março. Paralelamente, o total de internações por casos suspeitos e confirmados também cresceu, chegando a 39 pacientes hospitalizados.
A taxa de ocupação hospitalar também preocupa. Dos 431 leitos disponíveis, 385 estão ocupados, o que representa 89% de utilização.
Outro dado sensível é o registro de óbitos. Até o momento, cinco mortes por Chikungunya foram confirmadas no município, sendo duas vítimas bebês e outras três idosas.
O informe aponta ainda que a transmissão segue mais intensa entre a população indígena, embora a doença já esteja avançando para outras regiões da cidade. Nas aldeias, são 1.168 casos prováveis e 629 confirmações, evidenciando um cenário de alta circulação do vírus.
Diante desse quadro, especialistas alertam para a necessidade de atenção redobrada, tanto no monitoramento dos sintomas quanto nas medidas de prevenção. A eliminação de criadouros do mosquito transmissor segue sendo a principal estratégia para conter o avanço da doença.
O cenário atual indica não apenas o crescimento da Chikungunya, mas também o risco de sobrecarga ainda maior no sistema de saúde caso a transmissão continue em alta nas próximas semanas.