Num espaço de pouco mais de 10 horas de mobilização, os 81 agentes de controle de endemias do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Dourados vistoriaram 1.571 moradias nesta quarta-feira (8), encontraram 228 imóveis fechados, identificaram 8 focos do mosquito Aedes aegypti, notificaram 34 moradores e fizeram tratamento químico em 87 depósitos em quintais. Os trabalhos foram concentrados nos bairros Terra Dourada, Parque das Nações I e II, Vila Marabá, Altos da Monte Alegre, Vila Maxwell, BNH IV Plano, Jardim Água Boa, Vila Roma, Altos do Indaiá, Residencial Esplanada e imediações.
Os números foram apresentados ao Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela Prefeitura de Dourados para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e o avanço da doença no perímetro urbano do município. “Nossas equipes estão trabalhando de forma coordenada, com planejamento e com base em dados científicos, para enfrentarmos essa doença, mas precisamos que a população faça a parte dela, acabando com todos os pontos de água parada nos quintais e, sobretudo, no interior das residências”, enfatiza Márcio Figueiredo, secretário municipal de Saúde e coordenador do COE.
Também nesta quarta-feira, o Centro de Controle de Zoonoses aplicou inseticida (fumacê) com veículo LECO em 157 quarteirões localizados no Jardim Guanabara, Jardim Maracanã, Vila Rosa, Vila Esperança, Vila Arapongas, Jardim Caramuru, Dioclécio Artuzi, Harrisson de Figueiredo, Idelfonso Pedroso, Jardim Guaicurus e imediações.
Além disso, o CCZ prepara o lançamento de 292 notificações para donos de imóveis abandonados ou com focos do mosquito Aedes aegypti, além de emissão de 394 autos de infração, bem como 24 multas. Os agentes também fiscalizaram a solução de problemas em 32 imóveis notificados e vistoriaram os trabalhos que estão sendo realizados em 97 imóveis que receberam notificação ou Auto de Infração.
Protocolo de saúde
Nesta quarta-feira (8), a Secretaria de Estado de Saúde instituiu um fluxo emergencial de regulação médica para casos graves de Chikungunya. A medida, oficializada por meio da Resolução SES/MS nº 555, estabelece prazos mais curtos para resposta assistencial, mecanismos excepcionais para garantir o atendimento oportuno de pacientes em estado crítico e diretrizes prioritárias para a Região de Saúde Centro-Sul e demais macrorregiões do Estado.
A normativa estabelece que casos classificados como prioridades P1.0 e P1.1, considerados graves ou potencialmente graves, deverão ter decisão regulatória em até uma hora após a solicitação. O prazo é tratado como meta obrigatória para garantir resposta rápida e reduzir o risco de agravamento ou morte dos pacientes.
A resolução também normatiza o uso da chamada “vaga zero”, recurso excepcional que permite a transferência imediata de pacientes críticos mesmo na ausência de leitos disponíveis, como forma de preservar vidas em situações extremas. A medida poderá ser adotada pelo médico regulador quando se esgotarem as alternativas convencionais de encaminhamento dentro do tempo clínico oportuno.
A iniciativa ocorre em meio ao cenário de emergência em saúde pública decretado em Dourados, onde a epidemia de Chikungunya segue ativa. Dados epidemiológicos recentes indicam taxa de positividade entre 72% e 79%, considerada elevada, além do registro de casos graves, gestantes acometidas e óbitos pela doença no município em 2026.
O fluxo emergencial prioriza a articulação entre as centrais de regulação municipal e estadual, com definição clara de responsabilidades e sequência de encaminhamentos. Em Dourados, o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) será a primeira referência para os casos graves, seguido pelo HRD (Hospital Regional de Dourados). Na ausência de aceite ou resposta em tempo oportuno, a vaga zero poderá ser acionada para qualquer unidade com capacidade de atendimento.
A resolução também detalha critérios clínicos para classificação dos pacientes, incluindo sinais de choque, desidratação grave, rebaixamento de consciência, insuficiência respiratória e condições de maior vulnerabilidade, como gestação, comorbidades e pertencimento a populações indígenas.
Entre os objetivos da medida estão a padronização da resposta assistencial, a redução de gargalos na regulação, a ampliação do acesso a leitos de maior complexidade e a melhoria na comunicação entre os serviços de saúde. As unidades de origem deverão iniciar imediatamente as medidas de estabilização e manter contato contínuo com a regulação até a transferência do paciente.