Reportagem detalha locais de vacinação e qual o público-alvo de imunização
A partir desta segunda-feira (27/4), Dourados inicia a vacinação contra a chikungunya, em uma nova etapa no enfrentamento da doença que segue avançando no município. A estratégia foi definida pelo COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública) e integra o plano elaborado pela prefeitura para conter a circulação do vírus, especialmente nas áreas mais afetadas como a Reserva Indígena.
A aplicação das doses será feita em todas as unidades de saúde, incluindo os polos das aldeias Bororó e Jaguapiru. Antes disso, a Secretaria Municipal de Saúde mobilizou equipes para capacitação técnica, com foco na triagem dos pacientes — uma etapa considerada essencial, já que o imunizante possui restrições e exige avaliação prévia.
A vacinação, no entanto, não será aberta a toda a população. O público-alvo inclui pessoas entre 18 e 59 anos. A meta é imunizar ao menos 27% desse grupo, o que representa cerca de 43 mil moradores. Segundo a Secretaria de Saúde, o ritmo da campanha tende a ser mais lento justamente por conta das avaliações clínicas necessárias antes da aplicação.
O município também programou uma ação especial no feriado de 1º de maio, quando será realizado um drive-thru de vacinação no pátio da prefeitura, das 8h às 12h.
Quem não pode se vacinar
A lista de contraindicações é extensa e segue critérios definidos pelo Ministério da Saúde. Não podem receber a dose gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas ou em tratamento contra o câncer, transplantados recentes, além de pacientes com doenças autoimunes ou múltiplas comorbidades crônicas.
Também ficam de fora pessoas que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias, que estejam com febre alta ou que tenham recebido recentemente outras vacinas específicas.
Vacina e cenário da doença
O imunizante utilizado foi desenvolvido por meio de parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Valneva, com aprovação da Anvisa em 2025. Estudos indicam alta capacidade de resposta imunológica, com produção de anticorpos após dose única.
Mesmo com a chegada da vacina, autoridades de saúde reforçam que a medida não substitui os cuidados básicos, como eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e atenção aos sintomas.
A chikungunya provoca febre alta e dores intensas nas articulações, que podem persistir por meses ou até anos. Em casos mais graves, pode haver complicações neurológicas.
Diante do avanço dos casos, a orientação é que qualquer pessoa com febre associada a dores no corpo procure uma unidade de saúde para avaliação e acompanhamento.