A PC (Polícia Civil) detalhou na manhã desta quarta-feira (26/8), detalhes do homicídio de Vitor Orsini, de 19 anos, executado com três tiros na tarde do último dia 7, na garagem de veículos que pertence ao seu pai, localizada na Avenida Hayel Bon Faker, região do Jardim Água Boa, em Dourados.
De acordo com a polícia, o adolescente de 17 anos, que pilotava a motocicleta Honda Biz, usada no assassinato do rapaz, foi quem apontou para Denis Barbosa de Melo, de 22, que Vitor era o alvo, fato confirmado por Alexsander Gonçalves Borges, de 27, que estava sob efeito de drogas.
O detalhe é que, o verdadeiro alvo dos pistoleiros, morador em Dourados e não em Ponta Porã como veiculado por alguns jornais, não compareceu à empresa, conforme havia combinado anteriormente com um dos envolvidos, além disso, chama atenção a diferença de idade, já que ele é 20 anos mais velho que a vítima.
O delegado Lucas Albé Veppo, chefe do SIG (Setor de Investigações Gerais), disse durante a coletiva de imprensa que, em depoimento, Alexsander confirmou que estava drogado no momento do crime. Nem ele, nem Denis conheciam o homem de 39 anos, tinham o visto apenas por uma fotografia.
De acordo com o noticiado nesta terça-feira (25/8), pela reportagem, e confirmado hoje pelo delegado, Vitor Orsini foi morto por engano. O verdadeiro alvo, envolvido com o tráfico de drogas, deveria estar na loja para ver um veículo às 14h do dia 7 de agosto, contudo, a negociação era falsa e foi armada apenas para atraí-lo até o estabelecimento, o que não aconteceu.
Lucas ainda detalhou que o alvo foi ouvido pela polícia como testemunha na sexta-feira (21/8), e confirmou que não foi até a garagem devido a outros compromissos. O homem ainda alegou desconhecer o plano para matá-lo, mas desconfia que o motivo seja uma suposta dívida no valor de R$ 300 mil ao empresário Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos – preso em Ponta Porã, no último dia 21.
A polícia ainda investiga se a dívida tem relação com o tráfico de drogas, já que os dois eram cúmplices de crime e já tinham sido presos juntos, em 2013, em na cidade que faz fronteira com Pedro Juan Caballero.
A polícia detalhou que Claudio foi quem armou a emboscada. Ele conversou com Vitor Orsini sobre interesse em um veículo à venda na loja e pediu para o alvo ir ao estabelecimento ver o carro. Era a o meio para atraí-lo ao local, onde seria morto. No interrogatório, Claudio Arruda usou o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Lucas Veppo também informou que os dois pistoleiros – Denis e Alexsander - disseram que logo após a execução do jovem foram informados pelos contratantes que tinham assassinado a pessoa errada. A reportagem lembra que o primeiro indivíduo foi preso no dia 11, no distrito de Nova Itamarati, e Alexsandro foi localizado em Ponta Porã, no dia 17.
Os contratantes Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23 anos, e Jeferson Lopes, de 31, seguem foragidos e com prisão preventiva decretada pelo Poder Judiciário.
As investigações revelaram que Jeferson é dono da BMW X5 branca, usada para trazer os dois pistoleiros de Ponta Porã a Dourados. Após a execução de Vitor, Jeferson e Marcos foram até a garagem para confirmar se o alvo tinha sido morto e lá descobriram que os atiradores assassinaram a pessoa errada.
A presença da BMW na região de Dourados no dia do crime foi confirmada em trabalho conjunto dos investigadores com o serviço de inteligência da da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
Boatos
Infelizmente, desde o dia do crime, as redes sociais foram tomadas por boatos sem nenhum fundamento. Na entrevista de hoje, o chefe do Setor de Investigações Gerais descartou qualquer veracidade dessas “teses” e reafirmou que Vitor foi assassinado por engano.
Como a reportagem vem mostrando, o adolescente de 17 anos foi detido no dia 11 de agosto. Ele furtou a moto usada no crime e ofereceu apoio aos executores, indicando o local onde funciona a loja de veículos. O menor já está recolhido na Unei (Unidade Educacional de Internação). Claudio Arruda, Denis Barbosa de Melo e Alexsander Gonçalves Borges estão na PED (Penitenciária Estadual de Dourados).
O inquérito está concluído, mas as investigações continuam para tentar descobrir se há mais envolvidos no crime e apurar novas evidências que poderão surgir com a quebra de sigilo do celular de Cláudio.