O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), deu um verdadeiro show em vídeo compartilhado nas suas redes sociais nesta sexta-feira (23). O chefe do Paço Municipal gravou a cena em que rasga o projeto de lei que garantiria reajuste de 34,06% e elevaria o seu subsídio para R$ 26,6 mil. Ele ainda atacou críticos e disse que vai se contentar com o salário de R$ 19 mil, apesar de não ter cumprido a decisão judicial que mandou reduzir a verba.
O autointitulado “prefeito mais louco do Brasil” segue recebendo R$ 25 mil de salário bruto, o que garantiu a ele R$ 50 mil no último mês de dezembro, graças ao acréscimo do 13º, conforme o Portal da Transparência da Prefeitura de Ivinhema. Ainda não há informações sobre as verbas salariais de janeiro.
Depois de pedir para a Câmara de Vereadores suspender a sessão extraordinária que votaria o reajuste salarial na quinta-feira (22), Juliano Ferro decidiu desabafar sua indignação hoje.
“E muito barulho, sabe, muito barulho. Aqui em Ivinhema nós ganhamos R$ 19 mil, pega R$ 14 [mil], é um barulho de imprensa em cima da gente, é um barulho que existe, ó, ó, eu estou rasgando esse projeto, que eu já trabalhei quatro anos aí, ganhando R$ 19 mil, e não é R$ 19 mil que vai deixar eu mais pobre, mais rico. E vou para cima, porque eu não vou ficar aguentando, é vagabundo com o nome meu na boca aí, site velho sem vergonha, querendo crescer”, declarou o prefeito. “Eu que não quero mais aumento”.
Juliano se corrige e diz que, na verdade, é uma reposição salarial, enquanto rasga o texto do projeto. Ele diz que vai se “virar” para garantir uma renda extra. “Vou vender carro, vou fazer sorteio, bora pra cima ganhar comissão”, relatou.
Apesar de toda essa cena, o reajuste fora de época poderia ser considerado ilegal. O aumento anterior de 75% foi suspenso pelo juiz Rodrigo Sanches Barbosa, da 1ª Vara Cível de Ivinhema, em março do ano passado, mas a liminar nunca foi cumprida pelo chefe do Executivo.
O prefeito deveria ter voltado a receber R$ 19,9 mil, mas ganhou R$ 35 mil até agosto do ano passado e, depois por decreto no melhor estilo “eu sou o prefeito”, elevou o valor para R$ 25.025, mas não pagou o valor determinado pela Justiça estadual.
O advogado Douglas Barcelo do Prado pediu o cumprimento da liminar e a aplicação de multa do prefeito por não cumprir a decisão do magistrado, referendada pela 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e até pelo presidente da corte, desembargador Dorival Renato Pavan.