A maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul soma 4.492 casos prováveis, sendo 1.710 confirmados
Dourados segue enfrentando um cenário preocupante em relação à chikungunya, com transmissão ativa e números elevados de casos em todo o município. Dados atualizados pela Secretaria Municipal de Saúde nesta quarta-feira (14/4), apontam que a cidade já contabiliza 5.303 notificações da doença.
Segundo o informe epidemiológico, a maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul soma 4.492 casos prováveis, sendo 1.710 confirmados, 811 descartados e 2.782 ainda em investigação. A taxa de positividade chega a 67,8%, considerada extremamente alta e indicativa de intensa circulação viral. Já a taxa de ataque é de 1,7% da população estimada em 264.017 habitantes.
Outro ponto de atenção é a mudança no perfil dos casos. Entre as semanas 10 e 12, a maior parte das notificações estava concentrada na população indígena. A partir da semana 13, no entanto, houve inversão, com predominância entre não indígenas, indicando que a transmissão passou a se intensificar na área urbana.
Os dados também revelam impacto direto na rede de saúde. A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) registrou média de 451 atendimentos diários nos últimos 15 dias, acima dos cerca de 300 observados antes da epidemia. Esse aumento pode estar relacionado ao crescimento de casos agudos nas últimas semanas, especialmente na área urbana.
Em relação às internações, Dourados contabiliza 46 pacientes hospitalizados por suspeita ou confirmação da doença. O HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) concentra o maior número, com 21 casos, seguido pelo HR (Hospital Regional), com nove, e pelo Hospital Cassems, com seis. Outras unidades também registram internações, como o Hospital Porta da Esperança (Missão Caiuá) (4), Unimed (3), Evangélico Mackenzie (2), HV (Hospital da Vida) (1) e Santa Casa, que não apresenta casos no momento.
O número de óbitos confirmados chegou a sete, todos em pacientes indígenas. As vítimas tinham idades de 69, 73, 77, 60 e 55 anos, além de dois casos em bebês de três meses e um mês de idade. Todos os óbitos foram confirmados por critério laboratorial.
Além disso, há três mortes em investigação, envolvendo pacientes de 12 anos (indígena), dez anos (não indígena) e 63 anos (não indígena).
O relatório também detalha a distribuição das notificações pelas unidades básicas de saúde, que já somam 4.313 registros. Entre as unidades com maior número de atendimentos estão a UBSI Bororó I (1.049 notificações), UBS do Jóquei Clube (613) e UBS Seleta (422), além de outras unidades espalhadas pela cidade.
Nas aldeias indígenas, o cenário também segue relevante, com 2.012 casos prováveis, sendo 1.461 confirmados, 479 descartados e 545 em investigação. Ao todo, são 2.485 notificações e 399 atendimentos hospitalares relacionados à doença.