O Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande enviou ofícios ao Ministério Público Estadual e à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) cobrando providências diante do agravamento da situação assistencial da Santa Casa. Com salários atrasados há meses, médicos do hospital pediram demissão e as cirurgias cardíacas pediátricas foram suspensas.
Este é mais um capítulo da crise sem fim no maior hospital filantrópico de Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, foram registradas dificuldades relacionadas à manutenção de equipes, medicamentos, materiais e insumos, além da suspensão e redução de atendimentos e procedimentos. Em meio aos problemas, o Governo do Estado e a prefeitura da Capital discutem o repasse de recursos à Santa Casa.
A interrupção da cirurgia cardíaca pediátrica é especialmente preocupante, segundo o Conselho Municipal de Saúde, pois há crianças que podem depender de atendimento especializado e de procedimentos de alta complexidade em tempo oportuno. Além disso, a Santa Casa exerce papel estratégico na rede de saúde, atendendo usuários de Campo Grande e de diversos municípios do Estado.
O Conselho encaminhou ofício à 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, nesta quinta-feira (3), solicitando o acompanhamento urgente do MPE sobre a interrupção do serviço de cirurgia cardíaca pediátrica, após o pedido de demissão de médicos com salários atrasados.
“A situação causa especial preocupação porque não se apresenta como episódio isolado. Ao longo dos últimos meses vêm sendo divulgadas sucessivas dificuldades relacionadas ao funcionamento da instituição, incluindo atrasos de pagamentos, dificuldades para manutenção das equipes médicas, insuficiência de medicamentos, materiais e insumos, suspensão de atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas e risco de descontinuidade de serviços de média e alta complexidade”, relata o Conselho Municipal de Saúde.
O ofício relata que, em maio deste ano, a Justiça já havia determinado nova prorrogação do vínculo assistencial, diante do risco que o encerramento da prestação de serviços representaria para a assistência à saúde.
Nos meses seguintes foram divulgadas novas dificuldades financeiras e assistenciais, culminando, no final de julho, na suspensão de atendimentos ambulatoriais e procedimentos eletivos em diversas especialidades.
Em agosto foram novamente noticiados riscos de desligamento de profissionais e dificuldades na manutenção dos serviços. Agora, no início de setembro, foi confirmado o desligamento de médicos e a interrupção da cirurgia cardíaca pediátrica.
O mesmo pedido de acompanhamento foi enviado ao secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, e ao Conselho Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul.
“Neste momento, é necessário que Município, Estado e Santa Casa concentrem esforços na construção de uma solução que garanta a continuidade dos serviços e impeça novas interrupções”, diz o Conselho Municipal em nota pública divulgada hoje.