Operação cumpre mandado em propriedade rural onde foram localizados 23 trabalhadores em situação irregular
A Polícia Federal, em ação conjunta com o TEM (Ministério do Trabalho e Emprego), deflagrou nesta quinta-feira (17) uma operação para apurar possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão e tráfico de pessoas para fins de exploração laboral, em uma propriedade rural de Porto Murtinho, na fronteira com o Paraguai.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram localizados 23 trabalhadores em situação trabalhista irregular. A investigação teve início a partir de informações de que trabalhadores estrangeiros estariam sendo recrutados informalmente e mantidos na propriedade em situação de vulnerabilidade.
Segundo os dados apurados, haveria indícios de ausência de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e restrições à liberdade dos trabalhadores de deixar o local.
Durante as diligências, também foram apreendidas 14 armas de fogo de grosso calibre e munições. O armamento estava em situação irregular, sendo que algumas das armas apresentavam numeração suprimida. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias dos fatos e identificar eventuais responsáveis e outros envolvidos.
A Polícia Federal não informou na nota oficial sobre o caso, mas o portal Campo Grande News revelou que a fazenda pertence ao candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União), dono de uma faculdade de medicina em Pedro Juan Caballero.
Ainda conforme o Campo Grande News, Carlos Bernardo, de 60 anos, disputa uma vaga de deputado federal e declarou patrimônio de R$ 28,72 milhões à Justiça Eleitoral. A maior parte dessa fortuna está no campo.
A lista de bens também inclui R$ 3 milhões em cotas da Bernardo Administração e Participações, um Porsche Cayenne avaliado em R$ 1,41 milhão, R$ 800 mil em cotas da KS Táxi Aéreo e R$ 500 mil guardados em dinheiro vivo.
Em perfil verificado nas redes sociais, Bernardo se apresenta como CEO do Monarca Group, empresário, pecuarista e gestor de empresas, com atuação no Brasil e no Paraguai.
Ele também é dono da UCP, que manteve seu maior campus em Pedro Juan Caballero. O curso de Medicina naquela unidade foi encerrado recentemente. No mesmo endereço, a graduação passou a ser oferecida pela Universidad Interamericana, também criada pelo empresário. O portal da Capital ainda não conseguiu falar com Carlos Bernardo.