Confissão da autora e investigações da Polícia Civil indicam que o companheiro da vítima participou do planejamento do crime
Após a prisão em flagrante de Odete Benites, de 50 anos, autora-confessa da morte do assassinato de Rose Batista Cabreira, de 41, neste domingo (2/8), na Reserva Indígena de Dourados, a investigação da PC (Polícia Civil) passou a tratar o caso como feminicídio – o 18º em Mato Grosso do Sul.
Conforme informações do boletim de ocorrência, os depoimentos colhidos até o momento indicam que a vítima foi atraída para uma emboscada pelo próprio companheiro, que, segundo a polícia, participou do planejamento do crime e está foragido.
Rose foi encontrada morta na manhã de ontem em uma estrada vicinal aos fundos das aldeias Bororó e Jaguapiru, com diversos ferimentos provocados por arma branca. Ela foi encontrada caída ao solo e já sem vida, segundo informou a PM (Polícia Militar).
A área foi imediatamente isolada até a chegada da Perícia Técnica e da equipe da Polícia Civil.
Ainda durante o atendimento, os policiais receberam a informação de que a autora do crime estava em uma residência nas proximidades e foram até lá. Odete estava sentada e, de acordo com o registro policial, demonstrava aparente tranquilidade e confessou espontaneamente o homicídio, detalhando que o crime foi planejado desde o dia 26 de julho.
Odete contou aos agentes que ela e o ex-marido, atual companheiro da vítima, combinaram de matar Rose por acreditarem que a vítima seria responsável pela morte do irmão da autora – fato que ainda é apurado pelas autoridades.
A investigada contou que uma primeira tentativa de emboscada havia sido marcada para o último dia 26, próximo a uma pedreira, mas não ocorreu porque ela afirmou não ter tido coragem de comparecer.
Já ontem, o homem levou Rose até o local previamente combinado, onde a suspeita a aguardava. Ela afirmou ter desferido cerca de quatro golpes de faca, atingindo principalmente o rosto e a região da axila.
Após ser atacada, a vítima caiu da motocicleta, ainda percorreu alguns metros e depois caiu novamente, sem possibilidade de reação.
A autora também declarou que, após o ataque, o cúmplice fugiu do local, enquanto Odete retornou para casa e entregou a faca utilizada no crime à filha, com a intenção de ocultar a arma. Apesar das buscas realizadas pela Polícia Militar, o objeto não foi localizado.
Diante da confissão e dos demais elementos reunidos no local, a mulher recebeu voz de prisão em flagrante e foi encaminhada à Depac (Delegacia de Polícia de Atendimento à Comunidade), onde permaneceu à disposição da Justiça.
As investigações continuam para localizar o homem, esclarecer a participação de cada envolvido e encontrar a arma utilizada no crime. A Polícia Civil apura o caso como feminicídio.